Se você acha que, ao ficar short stack em um torneio de poker, sua única opção é dar all-in ou fold, está deixando dinheiro na mesa. Muitos jogadores tratam qualquer stack abaixo de 20 blinds como “curto demais” e passam a jogar de forma automática. Mas a verdade é que, mesmo com poucas fichas, ainda existem diversas linhas estratégicas possíveis.
Neste artigo, vamos explorar conceitos fundamentais para jogar bem de short stack, incluindo min-raises estratégicos, 3-bets não all-in, a técnica do stop and go e como estudar esse tipo de situação para evoluir no jogo. Se você quer melhorar sua performance em torneios de poker, este guia é para você.
1. O que realmente é um short stack?
Existe muita divergência sobre o que define um short stack. Alguns jogadores consideram 20 big blinds como stack curto, mas isso é um equívoco. Com 20 blinds, você ainda tem bastante jogabilidade e espaço para manobrar.
Um parâmetro mais realista é considerar algo em torno de 15 big blinds como um verdadeiro short stack. Abaixo disso, suas decisões começam a ficar mais limitadas, mas ainda assim não se resumem apenas a all-in ou fold. Mesmo com 8 blinds, por exemplo, ainda é possível explorar linhas alternativas e maximizar valor.
2. Nem só de all-in vive o short stack
Mesmo com stacks bem curtos, sua única jogada não precisa ser o open shove. Uma estratégia eficiente é dividir seu range entre mãos de all-in e mãos de min-raise.
Pode parecer estranho dar min-raise com 8 big blinds, mas essa linha cria situações muito lucrativas. Ao aumentar o mínimo:
- Você induz o big blind a pagar com um range mais amplo devido ao bom preço;
- Pode extrair valor pós-flop quando acertar uma mão forte;
- Permite que o adversário cometa erros ao colocar fichas no pote com mãos dominadas.
Além disso, você também pode incluir alguns blefes nesse range de min-raise, como A7 offsuit ou K8 offsuit — mãos que podem abrir e, caso enfrentem muita ação, ainda podem ser foldadas. Trabalhar com dois ranges (jam e min-raise) aumenta significativamente o valor esperado das suas mãos premium, como AA e KK.
3. 3-bet pequeno com stack curto? Sim, é possível
Com o avanço dos solvers, ficou claro que existem spots em que é correto aplicar uma 3-bet sem estar automaticamente comprometido com o all-in — mesmo com stack curto.
Imagine que você está em uma mesa final, com 15 a 17 blinds, e enfrenta um raise. Em vez de shovar diretamente, você pode aplicar uma 3-bet pequena, algo em torno de 4 a 4,5 blinds, com mãos fortes como AQ.
Essas mãos são fortes o suficiente para jogar por todas as fichas. No entanto, ao não ir direto de all-in, você cria a possibilidade de escapar de um cooler em situações extremas. Por exemplo:
- Se houver raise, 3-bet e dois all-ins (4-bet e 5-bet), os ranges dos adversários estarão extremamente fortes;
- Nesse cenário, você pode encontrar folds heroicos e preservar sua vida no torneio.
Por outro lado, se apenas o agressor inicial voltar all-in, o range dele ainda será amplo o suficiente para você pagar com mãos como AQ ou 99. Essa flexibilidade estratégica é fundamental, especialmente em situações de ICM na mesa final, onde sobreviver tem enorme valor.

4. A estratégia do “Stop and Go”
Quando você está com 7 blinds ou menos, especialmente no big blind, o all-in pré-flop pode não gerar fold equity suficiente. Se alguém abriu raise, muitas vezes o adversário precisará colocar apenas mais algumas blinds para pagar seu shove — e acabará pagando com praticamente todo o range.
É aí que entra a estratégia conhecida como stop and go.
Em vez de shovar pré-flop, você apenas paga no big blind com parte do seu range. Se o flop trouxer alguma equidade interessante — como um gutshot, par + draw ou dois overcards com possibilidade de sequência — você dá all-in no flop.
Exemplo:
- Você tem J9 offsuit no big blind com 7 blinds;
- O vilão dá raise e você apenas paga;
- O flop vem 8-10-2;
- Agora você vai all-in.
Nesse cenário, o adversário pode ser forçado a foldar mãos melhores que a sua, como A7 suited, que não conectaram com o bordo. Assim, você gera fold equity pós-flop — algo que não teria no all-in pré-flop — e aumenta suas chances de sobrevivência no torneio.
5. Estude com solvers e aproveite os recursos disponíveis
Se você deseja jogar profissionalmente ou evoluir de forma consistente ao jogar poker, estudar situações de short stack com solvers é extremamente importante. Essas ferramentas ajudam a entender como os ranges se comportam com stacks curtos e quais linhas maximizam o valor esperado.
Além disso, hoje existe uma enorme quantidade de conteúdo gratuito disponível. Streamers na Twitch frequentemente comentam mãos ao vivo, fazem sessões de estudo e explicam decisões estratégicas. No YouTube, você encontra análises detalhadas sobre como jogar com short stack e explorar adversários em diferentes cenários.
Estar short stack pode parecer intimidador, já que sua vida no torneio está constantemente em risco. Mas quanto mais conhecimento você acumula, mais confiança terá para tomar decisões corretas. Informação reduz o medo e transforma pressão em oportunidade.
Conclusão
Ser short stack não significa estar condenado a empurrar todas as fichas no meio e torcer. Existem múltiplas estratégias viáveis: dividir ranges entre jam e min-raise, aplicar 3-bets pequenas, utilizar o stop and go e estudar profundamente as dinâmicas com stacks curtos.
No poker, especialmente em torneios, sobrevivência e tomada de decisão estratégica caminham juntas. Quanto melhor você entender como operar com poucas blinds, mais preparado estará para transformar momentos de pressão em oportunidades lucrativas nas mesas da 888poker.
Nos vemos nas mesas!